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Museu de Ciências Nucleares

Imagem: Concepção artística
Creditos: WalterGomes via IA

Ciência nuclear fortalece
a criação de trutas na América Latina

A criação de truta arco-íris é uma actividade importante para milhares de pessoas na América Latina. Presente em rios, lagos, lagoas e jaulas marinhas costeiras, a produção fornece alimento e rendimento a comunidades rurais e de altitude. No entanto, os sistemas de criação em águas abertas estão expostos a doenças que se propagam rapidamente, colocando em risco tanto os peixes como a estabilidade económica dos produtores.

Uma das principais ameaças é o vírus da necrose pancreática infecciosa, conhecido pela sigla IPNV. Altamente contagioso, o vírus pode provocar mortalidade superior a 50% entre alevinos e peixes jovens em surtos graves, chegando perto de 90% em situações extremas. Para enfrentar esse problema, a Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA) apoiou laboratórios e capacitou especialistas de nove países: Argentina, Brasil, Chile, Equador, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.

O projecto combina análise avançada de ADN, sequenciação genética e diagnóstico molecular para detectar agentes patogénicos mais cedo e compreender quais as características genéticas associadas à resistência ao IPNV. Com base nesses marcadores moleculares, os produtores podem seleccionar peixes mais resistentes, substituindo decisões baseadas apenas na experiência por programas de criação orientados por evidência científica. No Chile, os programas existentes foram fortalecidos, enquanto o Brasil estabeleceu novas bases para a criação selectiva.

Mesmo uma melhoria aparentemente pequena pode gerar efeitos relevantes ao longo das gerações. Segundo a IAEA, num cenário conservador, a selecção baseada num marcador de resistência pode aumentar a sobrevivência em cerca de 1,2%, o equivalente a aproximadamente 1,2 toneladas adicionais por cada 100 toneladas produzidas por geração. Menos perdas significam produção mais estável, melhores rendimentos e maior segurança alimentar, enquanto a cooperação regional ajuda a harmonizar protocolos e a construir uma aquicultura mais resiliente.

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