Homenageados

O espaço do Museu de Ciências Nucleares também destaca a vida profissional de duas personalidades importantes no campo de atuação: Marcello Damy e Francisco Brandão. A dedicação desses dois pesquisadores ao campo nuclear fez com que a sua história de vida se interligasse de forma significativa com o desenvolvimento e a consolidação da área nuclear – sendo merecedores, pois, dessa homenagem.

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Marcello Damy

Professor Marcello Damy de Sousa Santos nasceu em Campinas, em 14 de junho de 1914. Ele começou o estudo de Engenharia na Escola Politécnica, da Unevrsidade de São Paulo (USP), até ingressar na graduação em Física por influência de Gleb Wataghin, amigo de Heisenberg, que iniciou o curso de física na USP.

Depois de formado, iniciou a sua carreira como professor e pesquisador em física, junto com Wataghin, e logo depois com G. Occhialini.  Em 1938, recebeu uma bolsa de estudos do British Council para continuar suas pesquisas de pós-graduação na Inglaterra, no Cavendish Laboratory da Universidade de Cambridge, sob orientação de W. Lawrence Bragg. Na Inglaterra, com seus dotes excepcionais como físico experimental, desenvolveu uma técnica de eletrônica de alta resolução que permitiu ao grupo, com Wataghin e Pompéia, descobrir os chuveiros de raios cósmicos penetrantes (de alta energia).

Damy junto ao aparelho para experimentos de raios cósmicos.

Damy trabalhou com Pompéia, na fabricação do sonar brasileiro. Tal feito foi uma contribuição importante à Marinha brasileira à época, levando também à criação dos Fundos Universitários de Pesquisas e o condecorando com a medalha de Mérito Naval.

Entre 1945 e 1951, com planejamento conjunto com Wataghin e apoio da Fundação Rockefeller, o pesquisador construiu a primeira máquina nuclear no Brasil, o Betraton. Posteriormente, Marcello Damy foi encarregado de presidir a Comissão que estudaria o reator nuclear, quando o Brasil decidiu, em 1955,  de acordo com o programa Átomos para a Paz, construi-lo. Em 1956, o Conselho Nacional de Pesquisas e o Conselho Universitário indicaram Damy para criar o IEA – atualmente Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Damy também foi presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no período de 1961 a 1964.

Professor Damy com o diploma de Cidadão Paulistano, título recebido em 2002.

Além disso, ele participou da organização do Instituto de Física Gleb Wataghin na Unicamp, requisitado pelo Professor Zeferino Vaz. O Instituto foi formado com as áreas de física de Altas Energias (Lattes), Estado Sólido (Sergio Porto) e Física Nuclear Aplicada (Damy). Em fins de 1971, saiu da UNICAMP e continuou as atividades de docência e pesquisa na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde formou pesquisadores e professores (na pós-graduação e na graduação) e no curso de pós-graduação do IPEN.

Marcello Damy formou muitos físicos, entre eles, Oscar Sala (que desenvolveria o Acelerador Eletrostático, Van de Graff), José Goldemberg (que atuou em física nuclear e atua na área de energia), César Lattes (que atuou em São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, desenvolvendo um grupo de física de partículas), e muitos outros que trabalharam em várias áreas da física.

Prof. Damy acumulou diversos prêmios e medalhas, os mais recentes a Grã-Cruz do Mérito Nacional Científico (1994), IBM de Ciência e Tecnologia (1994) e Cidadão Paulistano (2002).

Foi casado, desde 1947, com Lucia Toledo de Souza Santos, com quem compartilhava as alegrias da cultura, da música clássica, da literatura, da história.

Essa trajetória pessoal e profissional fez de Damy um dos principais nomes do desenvolvimento do ensino e da pesquisa em Física no Brasil, ao lado César Lattes, José Leite Lopes e Mário Schenberg.

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Francisco Brandão

O professor e pesquisador Francisco de Assis Gonçalves de Amorim Brandão nasceu em sete de junho de 1928. Sua trajetória acadêmica iniciou-se com a graduação em engenharia Química, pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1957. Posteriormente, em 1961, o professor Brandão obteve o título de doutor pela Escola de Engenharia da UFPE. No período de 1954 a 1958, atuou como professor da Cadeira de Química, Física e eletroquímica da Escola Politécnica da Universidade Católica de Pernambuco. Foi professor assistente e depois professor associado do Departamento de Física e Química do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) – São José dos Campos- SP. No período de 1969 a 1970 foi professor colaborador da cadeira de química tecnologia da escola de Engenharia de São Carlos. Depois, em 1970, atuou como pesquisador associado do IEN- Instituto de Engenharia Nuclear- RJ. Brandão também é livre docente da cadeira de Química Geral e Inorgânica da Escola de Engenharia da UFPE.

Profº Brandão (4º da esq. para dir.) em companhia de integrandes do ITA/SP.

Em sua vida profissional, Brandão exerceu diversas atividades de assessoria na área nuclear, como:

- Assessor da presidência da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), nos períodos de 1970 a 1972 e de 1976 a 1978;

- Inspetor de Salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica de 1978 a 1984, em Viena, Áustria;

 

Brandão inspecionando fábrica de yellow cake.

- Senior Traininng Officer, no Departamento de Salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica, Viena, Áustria, no período de 1975 a 1988;

- Chefe do Departamento de Treinamento e apoio científico do Instituto de Radioproteção e dosimetria- IRD de 1988 a 1990;

- Diretor do Departamento de Ensino e Pesquisa da CNEN, de 1990 a 1991;

- Inspetor-consultor da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e controle do material Nuclear- ABACC desde 1993.

Brandão junto ao reator subcrítico do ITA/SP.

Brandão é também assessor Grupo de dosimetria e Instrumentação Nuclear do DEN/UFPE, desde 1993, auxiliando na implantação do Sistema de Gestão da Qualidade (ISO 17025) no laboratório de Metrologia das Radiações Ionizantes. Também é um dos principais pesquisadores, organizadores e entusiastas da criação, gestão e desenvolvimento do Museu de Ciências Nucleares – DEN/UFPE.